MMA segue gerando preconceitos e debates

MMA sofre repreensão de seu principal patrocinador por declarações discriminatórias

Depois das últimas declarações do campeão de UFC, Anderson Silva, de que “o mundo é gay”, o MMA (Artes Marciais Mistas – tradução) volta ao palco, agora não por questões positivas, mas por questionamentos quanto ao preconceito e discriminação que, muitas vezes, envolvem seus atletas.

Na semana passada, a Anheuser-Busch, cervejaria dona da Budweiser e uma das principais anunciantes do UFC, divulgou nota repreendendo a organização do MMA pelo comportamento de seus atletas. Para a companhia, alguns dos competidores e empregados do Ultimate passam mensagens sexistas e homofóbicas.

Segundo a nota, a cervejaria informou que comunicou “a dirigentes do UFC nosso desagrado com declarações dadas por alguns de seus lutadores e eles prometeram resolver esta questão. Se os incidentes continuarem, nós vamos agir”. Outro trecho da carta afirma que a empresa “abraça a diversidade e não tolera comentários insensíveis e depreciativos endereçados a qualquer etnia, raça, religião, orientação sexual, identidade de gênero, deficiência, etc”.

"Nós não toleramos este comportamento e de modo algum é reflexo da visão da nossa empresa ou de seus valores", afirmou o Ultimate

A direção do Ultimate respondeu que “com mais de 425 atletas em nosso elenco, tem havido, infelizmente, casos em que alguns deles fizeram comentários insensíveis ou inadequados. Nós não toleramos este comportamento e de modo algum é reflexo da visão da nossa empresa ou de seus valores”.

O Comitê Nacional de Defesa à Violência Doméstica e Sexual (NCDSV – sigla em inglês), dos Estados Unidos, publicou carta, em janeiro passado, repudiando o Ultimate: “acreditamos que a UFC contribui para uma cultura de violência contra as mulheres, lésbicas, gays, bissexuais e transexuais”, afirmava um trecho do documento endereçado aos parlamentares do estado de Nova Iorque, onde a prática do MMA é proibida. “As crianças, em particular, não devem ser expostas a um linguajar de conteúdo homofóbico, misógino e violento, que é permitido pelo UFC”, finalizava.

O Ultimate tem sinalizado que se preocupa com sua imagem. Demitiu um lutador – Forrest Griffin, ex-campeão da organização – por fazer piada sobre estupro. Miguel Torres, em dezembro de 2011, também fez piada sobre o tema, depois da demissão de Forrest, o que levou o UFC a se pronunciar: “Miguel Torres foi cortado do UFC e sua carreira conosco agora acabou. Ele disse que não tinha ouvido o que aconteceu com Forrest. Sério? Onde você mora? Em que tipo de negócio você está? Como você não ouve sobre essas coisas? Você deveria ter prestado mais atenção. Eu não posso defender Miguel Torres. Eu não posso defender o que disse. O que ele disse não faz sentido a não ser quando diz: ‘Foi uma piada’. Bem, não acho que isso é uma piada engraçada. Eu acho que é preocupante” declarou Dana White, presidente do UFC.

Torres, um dos principais atletas do MMA, foi para a geladeira por declaração sexista e misógina

Torres, lutador consagrado, emitiu um pedido formal de desculpas em seu site e fez uma doação em dinheiro para um centro de auxílio a pessoas que sofreram estupro e o visitou como voluntário. Ficou um mês na geladeira e, depois, foi readmitido pelo Ultimate.

De qualquer forma, o Ultimate está sendo acompanhado, tanto por patrocinadores, quanto por entidades de direitos humanos, preocupados com a imagem negativa que possam passar. Resta esperar pelos próximos capítulos desse controvertido esporte.

1 estrela2 estrelas3 estrelas4 estrelas5 estrelas (Sem pontuação)
Loading ... Loading ...