Ocorreu na quarta-feira, 15, um ato em frente ao Ministério da Saúde devido à retirada da campanha de prevenção ao HIV/Aids para o público gay durante o período de carnaval.

Ministro Alexandre Padilha pediu que técnicos do Ministério da Saúde recebessem uma comissão dos manifestantes
Alguns coletivos estiveram presentes, como a Cia Revolucionária do Triângulo Rosa, o Estruturação e o Gay Um, além de militantes. Ao todo era um grupo de cerca de 30 pessoas, numa manifestação pacífica e barulhenta. Após o final do ato uma comissão formada por 10 representantes foi recebida pelo Secretário de Vigilância em Saúde e dois diretores do Ministério.
A deputada federal Erika Kokay, membro da Frente Parlamentar LGBT, também participou da reunião onde os presentes reivindicaram que o Ministério da Saúde divulgue o vídeo em rede aberta como estratégia de combate à contaminação por HIV/Aids, por entenderem que a homofobia é uma das causas de contaminação da população jovem de gays e HSH (homens que fazem sexo com outros homens), principalmente quando alimentada pela invisibilidade que o veto à campanha causou.
Durante o encontro o Ministério negou que o veto e o motivo da retirada do ar do vídeo fosse a pressão da bancada parlamentar evangélica, alegando tratar-se de uma mudança de estratégia de publicidade do Ministério. Declararam ter ocorrido um “erro de comunicação”, uma vez que, segundo os técnicos, essa publicidade nunca foi pensada para ir à TV aberta.
A abertura do Ministério da Saúde a receber uma comissão dos manifestantes foi uma clara demonstração de diálogo com o movimento social, porém também deixou claro para os militantes LGBT que a decisão já foi tomada e não há qualquer possibilidade de reconsideração, o que deixou os manifestantes um pouco frustrados.
A manifestação LGBT ocorreu no mesmo dia em que o Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Ministro Gilberto Carvalho, recebeu representantes da Bancada Parlamentar Evangélica.
A decisão do Governo Federal de vetar o vídeo tem causado, ainda outras repercussões, inclusive em instâncias internacionais. O Fórum de ONG`s de Aids do Estado de São Paulo – que congrega 92 entidades – vai apresentar uma denúncia formal contra o governo brasileiro em instâncias internacionais de direitos humanos.

Mário Scheffer, do Grupo Pela Vidda: Fórum de ONGs Aids prometem entrar com ação contra o Governo Federal na corte internacional e no Ministério Público
Mário Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda, fez duras críticas à decisão federal: “O governo mostra estar totalmente rendido neste tema a grupos fundamentalistas e à base aliada. Um passo atrás e, agora, numa área que o Brasil sempre foi internacionalmente reconhecido pela ousadia e pela liderança, o combate à aids. Mais do que uma oportunidade perdida, é uma mancha.”
O Fórum vai apresentar, também, uma representação junto ao Ministério Público, com o objetivo de que sejam investigados a discriminação e o desperdício de dinheiro público em virtude do cancelamento da exibição do vídeo.

