Provável caso de homofobia no Pará

Movimento LGBT local denuncia provável caso de homofobia. A polícia civil ainda investiga o caso de roubo seguido de tentativa de homicídio

Um homem gay foi brutalmente espancado e enterrado vivo à beira de uma estrada nas proximidades de Altamira, oeste do Pará (900 km de Belém). Mesmo com o alto grau de violência, a vítima conseguiu sobreviver e está hospitalizada.

Anízio Uchôa, de 50 anos, é professor de uma escola municipal, e foi amordaçado em sua casa, onde teve seus bens roubados. Em seguida, foi levado a uma estrada vicinal, onde foi espancado e enterrado em uma vala.

A Polícia Civil acredita tratar-se de um caso de roubo com tentativa de homicídio, mas para o movimento gay da região o crime tem relação com homofobia, principalmente porque um dos agressores mantinha um relacionamento com a vítima.

O caso ocorreu na madrugada da sexta-feira, 10 de fevereiro, e de acordo com os investigadores, o crime foi cometido por Jefferson Mello, 21, que mantinha um relacionamento com o professor, juntamente com Thaisson de Souza, de 23 anos.

Altamira possui uma área de 159 695,938 km², onde inicia-se a "volta grande do Xingu", trecho sinuoso e cheio de cachoeiras do Rio Xingu. Por isso é uma terra que favorece o turismo

Os dois foram detidos no mesmo dia e a assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que ambos confessaram o crime. No depoimento, porém, negaram a autoria intelectual do crime, cada um atribuindo a responsabilidade ao outro.

De acordo com a investigação, os criminosos cobriram a vala onde jogaram o corpo de Uchôa com terra e folhas. Como a vala não era funda, Uchôa conseguiu escapar, pedindo ajuda. Ele foi hospitalizado com ferimentos na cabeça e fraturas nos braços.

A Associação da Parada do Orgulho LGBT da Transamazônica e Xingu fará uma manifestação na próxima quinta-feira, em Altamira, em protesto contra o crime. Humberto Lexter, presidente da entidade, informou que “o rosto dele está irreconhecível por causa das pauladas”. Ele afirmou, ainda, que o crime foi motivado por homofobia.

Segundo o assessor jurídico da Associação da Parada LGBT da Transamazônica – Roryhone Sousa, um dos autores (Jefferson Melo) não queria que ninguém soubesse do relacionamento que mantinha com Uchôa.

“Eles praticaram o crime movidos por um preconceito de que, por ser homossexual, ele [Uchôa] era mais frágil. Não foi apenas um roubo, mas sim um crime que teve origem no fato de a vítima ser homossexual”, finalizou Sousa.

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