Ban Ki-moon, Secretário-Geral das Nações Unidas, em seu discurso de abertura da cúpula da União Africana (UA),em Adis Abeba, no domingo, 29 de janeiro, pediu aos líderes africanos que respeitem os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
“Uma forma de discriminação ignorada ou, inclusive, aprovada há muito tempoem muitos Estadosé a discriminação baseada na orientação sexual ou na identidade de gênero”, declarou Ban. O Secretário-Geral acrescentou, ainda, que esta atitude levou “os governos a tratarem as pessoas LGBT como cidadãos de segunda classe ou até mesmo como criminosos”.
“Enfrentar essas discriminações é um desafio, mas não devemos abandonar as ideias da Declaração Universal” dos Direitos Humanos, insistiu Ban. “O futuro da África depende também do investimento em direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais”, acrescentou.
O discurso foi proferido por ocasião da XVIII Cimeira da União Africana,em Addis Abeba, Etiópia que reúne mais de 50 nações.

A África do Sul é um dos únicos países onde a homossexualidade é respeitada, embora ocorram relatos de violência física contra mulheres lésbicas
A homossexualidade é ilegal em quase todos os países africanos, com raras exceções, como a África do Sul, e os atos de discriminação contra esse grupo são habituais. No continente, a África do Sul é um dos raros países que apresenta um ambiente legalmente mais amigável para LGBT, incluindo o reconhecimento do casamento civil. Mas mesmo assim são freqüentes relatos de violações a mulheres lésbicas e outras situações de abuso.
Alguns países, como Uganda, já têm leis que criminalizam os atos sexuais entre homens, mas o Parlamento discute há meses endurecer as condenações contra homossexuais, decretando, inclusive, a pena de morte para os casos de reincidência.

Na maioria dos países africanos a homossexualidade é considerada crime e o Parlamento de Uganda, por exemplo, já pensa em pena de morte para casos de reincidência
Ainda são em maior número os países africanos que negam direitos civis e perseguem as pessoas LGBT do que os que defendem os seus direitos. Tanto que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu que todos os seus corpos diplomáticos promovam e ajudem financeiramente os programas de luta contra a homofobia.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, ameaçou excluir dos programas de ajuda aqueles países que não reconhecerem os direitos dos homossexuais.

